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2018 é um ano sob a regência de um dos Orixás venerados  por grande parte dos Sambistas: Xangô, o orixá da justiça.

Para Xangô, a GRES Unidos da Ponte, de  São João de Meriti-RJ, dedicará seu carnaval com enredo baseado no Romance de Xangô um dos mais belos poemas inspirados na Cultura Afro Brasileira.

A fé nos Orixás, faz parte da nossa cultura e se torna mais presente neste dias festivos de início de ano.

A lavagem do Bonfim , na Bahia, a tradição de oferendas para Iemanjá no Rio e em vários cantos do Brasil, revelam a presença marcante do sincretismo religioso principalmente no samba.

O sincretismo religioso surgiu da repressão imposta aos escravos que, proibidos de exercer sua fé nativa, exaltavam cantos em Iorubá perante a imagem de santos católicos, porém invocando  sempre o nome do Orixá que mais se assemelhasse àquele santo. Por isso, no sincretismo religioso São Jorge também é Ogum, Iansã (Oya) é  Santa Bárbara, Iemanjá é Nossa Senhora dos Navegantes, Xangô pode ser São Jerônimo, São João Batista, São Pedro ou São Miguel,  o Caçador Oxossi é São Sebastião e assim por diante.

A repressão a fé dos escravos  era também uma forma de impedir que estes se tornassem fortes e se libertassem. Assim, a igreja e os donos de escravos da época, faziam questão de espalhar que a dança, a música, a fé dos africanos eram fruto de bruxarias e, quem dançasse ao som da “macumba” que nada mais é que um instrumento de percussão,  estaria cometendo um pecado mortal… Quem invocasse o nome de um orixá então… iria direto para o andar de baixo!

A herança negativa desta repressão, atravessou séculos e refletiu nas manifestações culturais em torno do samba: não raras vezes sambistas eram reprimidos, temidos, perseguidos e discriminados porque suas danças, hábitos e,  as músicas acompanhadas de instrumentos de percussão e batidas na palma da mão, eram consideradas invocação do mal, por puro preconceito racial herdado da época da escravatura.

Infelizmente ainda nos deparamos com alguns  casos de discriminação em torno do sincretismo religioso em várias partes do país. Volta e meia, nos deparamos com histórias de percussionistas ou mesmo amantes do samba que, por tocar  ou ouvir samba de terreiro ou trazerem no pescoço suas guias são “avaliados” dos pés a cabeça, ou recebem olhares de reprovação em lugares públicos  ou ainda são apelidados de “macumbeiros”!

Depois de 100 anos de história,  é bom perceber que o samba vem conseguindo modificar este tabu: Nas canções dos mais consagrados sambistas como Mariene de Castro, até artistas não menos importantes mas que ainda estão começando a escrever seu nome da história do samba, vimos cada vez mais homenagens ou invocação ao santos orixás!

As Igrejas católicas no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, também estão mais abertas a admitir que a religião e a cultura podem caminhar juntas para construção de um país com menos discriminação.

Esta quebra de tabu pode até parecer sem importância, mas é de grande relevância para o livre exercício da cultura no Brasil: a alguns anos atrás uma Escola de Samba do Rio de Janeiro foi proibida de exibir imagens sagras na Sapucaí: Nos últimos carnavais porém, já tivemos baianas vestidas de Nossa Senhora Aparecida, São Jorge (Ogum) como homenageado da Primeira Escola de Samba do Rio de Janeiro a Estácio de Sá, o Estandarte de São João Batista (Xangô) junto com Iemanjá (Nossa Senhora dos Navegantes) atravessando a avenida no desfile que consagrou a Mangueira Campeã do Carnaval Carioca, quando a Escola Homenageou Maria Betânia, a filha de Oyá (Iansã-Santa Bárbara).

Então se você tem um Orixá de proteção, ou se você tem admiração pela riqueza do sincretismo religioso brasileiro, não se acanhe em elevar o pensamento a Deus,  de fazer sua prece, seja chamando pelo nome de Deus, do seu Santo ou do seu Orixá, seja usando a sua guia de proteção, afinal “Quem acredita não cansa e com fé sempre alcança A força do seu ORIXÁ!”( Canção de  Roberto Chama / Sinval Correa).

Sob a regência de Xangô, que 2018 seja um ano de bençãos para o samba!

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