soa-clemente-texto-sambandoSão Clemente, a Escola da irreverência.

Fundada em meados dos anos 60, a partir de um time de Futebol do Bairro de Botafogo, o São Clemente Futebol Clube, a São Clemente sempre foi a escola da irreverência.

Acompanhando o interesse pelo esporte, no ano de 1951, jovens do bairro de Botafogo, participavam de uma equipe nas cores azul e branca chamada São Clemente Futebol Clube, em homenagem a rua que moravam. Freqüentemente faziam excursões para jogar em outras comunidades. Numa dessas excursões, com destino à Bananal – RJ, o grupo se reuniu em frente à Vila Gauí existente até hoje na Rua São Clemente nº 176 no bairro de Botafogo, Cidade do Rio de Janeiro e, enquanto aguardava o início da viagem Ivo da Rocha Gomes avistou na porta de uma quitanda, duas barricas vazias de uva, que de imediato transformou em instrumentos de percussão para uma animada batucada.

À empolgação foi tanta, que Ivo resolveu criar a partir daquele momento um “bloco de sujo” que passou a desfilar no Carnaval pelo bairro de Botafogo com a cor azul e branca.

Os primeiros ensaios foram realizados no estacionamento da autopeça Cia Iansa na Rua São Clemente, sob o efêmero brilho de simples gambiarras, pequenos grupos se organizavam ao redor de uma bandeira, ao som de alguns poucos instrumentos cantando e sambando.

No carnaval de 1952 o bloco desfilou pela primeira vez nas cores azul e branco e o samba foi da autoria de Nelson Escurinho. Em 1962, veio o primeiro samba enredo.

No fim da década de 80, a São Clemente já era  a Agremiação da espontaneidade, que deu um drible nas críticas e fez um carnaval mostrando a sua força e criatividade ao alertar o Brasil para o drama do menor abandonado, da violência.

Após muitos carnavais a São Clemente voltou ao grupo Especiais e não saiu mais.

A escola ganhou respeito e muitos adeptos. Para os “Clementianos”, quando o couro estremece com a pancada da fiel bateria, eles  já sabem que é hora de brincar o carnaval na essência do que é esta festa: a alegria!

A São Clemente chegou  ao grupo Especiais fazendo trabalho de formiguinha: sem muita gente notar mas, com competência para  não sair mais do seleto grupo de melhores escolas do Carnaval Carioca.

No carnaval de 2014, rimar São Clemente com irreverente fez bastante sentido: a Escola levou para a avenida  a riqueza da favela, a malemolência e criatividade do povo do morro. Desvendaram sua arquitetura, das origens à atualidade, dos costumes aos personagens.

E assim, mostrando os seus becos, vielas e barracos, a escola levou  para a avenida a  emoção e a espontaneidade suficientes para permanecer ganhar mais admiração e respeito.

Em 2015 a escola surpreendeu com a “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da onça pé de boi”,  conquistando o 8º Lugar à frente de escolas consagradas como a Mangueira, a Vila Isabel e a Viradouro.

Em 2016, com a alegria e irreverência de sempre a São Clemente levou para a avenida a magia dos palhaços com o enredo “Mais de mil palhaços no salão”, realizando um desfile não apenas alegre e alto astral mas bonito de se ver que lhe garantiu o 9º Lugar no Grupo Especial, à frente da Mocidade,  União da Ilha e Estácio de Sá.

 

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