O Dia Nacional do Samba, comemorado em 02 de dezembro desde 1960, é uma data que marca o compromisso de toda  nação brasileira pela preservação de sua mais autêntica expressão musical.

Parte da própria formação social brasileira,  o samba surgiu como expressão livre que desde sempre gerou naturalmente a reunião de pessoas.

Em função deste “poder” de reunir, o Samba soava ameaçador para os governos escravistas, imperialistas e ditatoriais do início da nossa história: Sambista, não era músico, não era cantor, era rebelde ou  vadio.

Porém, seria impossível esconder tanta autenticidade que refletia de maneira sem igual a personalidade de um povo que descendia em sua maioria de escravos e, a exemplo de seus ancestrais, talvez por instinto, encontravam nas rodas de cantos marcados na palma da mão acompanhadas por instrumentos percussivos, uma forma de liberdade.

Nos anos de 1916, no Quintal da Tia Ciata  uma canção foi composta por Donga e Mauro de Almeida, “Pelo Telefone” cujo registro foi considerado como um marco da história cultural brasileira por ser o primeiro registro fonográfico do samba a ser realizado em 27 de novembro de 1916.

Apesar de existir a muito mais tempo, tendo sido registrado como música popular brasileira desde 1916 e embora seja inegável que o Samba é a personificação musical da própria alma do brasileira, daquilo que somos essencialmente como povo,  somente na década de 60  é que foi instituído o Dia Nacional do Samba.

O movimento para que isso acontecesse começou ainda nos anos 40, quando Getúlio Vargas em busca de criar uma identidade nacional,  voltou-se para o samba. Para o músico e historiador Magno Bissoli: “O processo de popularização do samba era iminente, mas certamente a política de Vargas contribuiu para a sua consolidação no panorama nacional.”

Perseguido, marginalizado, proibido,  “no miudinho” o samba conquistou seu espaço pela afinidade natural com a personalidade do povo brasileiro. Aos poucos,  as rodas que ficavam escondidas nos terreiros interioranos e  fundos de quintais do subúrbio, sob o manto de manifestação religiosa, acabaram ecoando pelos bairros da periferia, pelos morros,  pelo mundo.

Em 1950, o movimento folclorista que procurava definir e preservar a identidade cultural brasileira, já se reunia em congressos com a participação de vários intelectuais.  A partir destes congressos folcloristas, a visão do samba como manifestação rural ou como manifestação urbana do tipo  popularesco no conceito de Mário de Andrade,  passou a ser defendido como a essência a ser preservada,  sendo considerado um “fato folclórico” brasileiro por representar  maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, mantidas pela tradição popular.

Assim, permitir  a “desnacionalização” do samba provocada pela  crescente  influência estrangeira que adentrava o país, seria colaborar com a perda de “nosso” fato folclórico, ou seja, de parte da “essência nacional” que nos distinguiria enquanto povo brasileiro.

Neste contexto, o crescente número de composições  que misturavam influências estrangeiras com o samba no decorrer dos anos 50 e início da década de 60, levou os folcloristas  a defender a preservação das características do samba com mais vigor,  resultando em uma maior valorização da tradição da os sambistas  da chama “Época de Ouro” da música popular.

Era a geração de Noel Rosa, Araci de Almeida, Francisco Alves entre outros, enaltecidos especialmente pela Revista de Música Popular de Lúcio Rangel, que elegeu um panteão de músicos como referência contra a “desnacionalização do samba” provocada pelas “influências estrangeiras”.

Neste clima em 1962,  ano da consagração internacional da Bossa Nova no Carnegie Hall, os  então conhecidos como folcloristas urbanos realizaram uma reunião especial,  procurando definir maneiras para permitir a evolução do samba  mantendo a sua originalidade perante as então chamadas de “ameaças estrangeiras”.

Com este objetivo, ao final do evento, Edison Carneiro redigiu a Carta do Samba, documento oficial publicado no dia 2 de Dezembro, declarando esta data como o Dia Nacional do Samba.

A Carta  e a instituição do Dia Nacional do Samba, representava um esforço para preservar as características tradicionais do samba sem, entretanto, lhe negar ou tirar perspectivas de progresso,  representando a média das opiniões dos congressistas folcloristas como o próprio Edison Carneiro,  de diversos sambistas consagrados , como Pixinguinha e  Donga  e estudiosos de música popular, dentre os quais, Jota Efegê, Sérgio Cabral, entre outros.

Assim a Carta do Samba foi como marco para  “a preservação das características do samba que se impõe como um dever realmente patriótico, já que redundará na defesa serena, inteligente e compreensiva, mas vigilante e enérgica, de um dos traços culturais que mais nos distinguem como nacionalidade” (Carta do Samba 1960).

A partir da publicação da Carta do Samba ficou instituído o Dia 02 de dezembro, como o Dia Nacional do Samba!

Crédito:
Jornalista Lília Araújo
Equipe Sambando.com

DEIXE UMA RESPOSTA

Entre com seu comentário
Por favor, digite seu nome