Aldir Blanc nasceu no dia 02 de setembro de 1946 e tornou-se um artista múltiplo: foi compositor, escritor, cronista.

O menino nascido no bairro de Estácio, um dos berços do samba carioca, gostava de observar a cidade e dizem, tinha o dom de captar a alma do subúrbio.

Em sua vasta obra, suas histórias cheias de vida eram por vezes dedicadas as suas grandes paixoes: O bairro de Vila Isabel, onde viveu parte da sua infância, o Vasco da Gama, seu time de coração e claro o carnaval.

Verdadeiramente a música era um dos grandes, senão o maior amor de Aldir Blanc,  a ponto de trocar a medicina pela música aos 27 anos, para então se tornar um dos mais importantes compositores da Música Popular Brasileira (MPB).

Com 18 anos, tocava bateria no Grupo Rio Bossa Trio e, em parceria com Silvio da Silva Junior, compôs “Amigo é pra essas coisas” sucesso do grupo MPB-4.

Foi Aldir Blanc quem batizou um dos mais amados blocos de rua do Rio de Janeiro: o Simpatia é Quase Amor.

Eternizada na voz de Elis Regina, além da canção O Bêbado e a Equilibrista, revelou ao mundo a beleza de uma das suas muitas composições, em parceria com João Bosco.

Aliás, Elis Regina era apaixonada pelas canções de Aldir Blanc: Gravou “Ela” feita em parceria com César da Costa Filho, “Bala com Bala”  (parceira com João Bosco), “Agnus Sei” lançada no chamado Disco de Bolso, um compacto que acompanhava o famoso jornal O Pasquim.

Além das canções acima, Elis ainda fez questão de gravar as canções  “O Caçador de Esmeralda”,  “Cabaré e Comadre”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “Caça à Raposa”,  “Dois pra Lá, Dois pra Cá”, todas compostas em parceria com João Bosco.

A parceria com João Bosco deu muitos frutos e as canções de Aldir Blanc e João Bosco, tornaram-se também trilhas de novelas de sucesso como “Doces Olheiras” ( novela Gabriela, da TV Globo, em 1975), “Visconde de Sabugosa” (Sítio do Pica-Pau Amarelo, em 1977), “Coração Agreste” (Tieta, de 1979), “Confins” ( Renascer, de 1993), “Suave Veneno” e “Chocolate com Pimenta” , “Bijuterias” (minissérie “O Astro”, no remake de 2011).

Aldir Blanc fez músicas em parceria com Moacyr Luz, Paulo Emílio, Gonzaguinha,  Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ivan Lins, Wagner Tiso, Guinga, Edu Lobo, e muitos, muitos outros.

Era um defensor ferrenho dosa dos direitos autorais.

Em 1996, o disco comemorativo “Aldir Blanc – 50 Anos”, em homenagem ao compositor, reuniu várias participações especiais, entre elas, Betinho ao lado do MPB4, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Danilo Caymmi e Nana Caymmi.

O álbum reúne, também, letras e melodias com Guinga, Moacyr Luz, Cristóvão Bastos e Ivan Lins.

Além da música, Aldir Blanc ainda publicou  livros com crônicas, desenhos e contos entre os quais se destacam:  “Rua dos Artistas e Arredores” (Ed. Codecri, 1978); “Porta de tinturaria” (1981), “Brasil passado a sujo” (Ed. Geração, 1993); “Vila Isabel – Inventário de infância” (Ed. Relume-Dumará, 1996), e “Um cara bacana na 19ª” (Ed. Record, 1996).

Aldir Blanc morreu aos 73 anos, no dia 04/05/20, vítima do coronavírus.

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