Sambas Escritos é uma coleção de quatro livros que faz uma releitura da presença feminina na história do samba.

A coleção trás textos de 84 autores dos quais, 67 são mulheres negras entre elas Leci Brandão, tida como “madrinha” da obra pois, foi a partir do envio de seu texto que outros vieram, afirma uma das organizadoras.

De maneira muito interessante, conectando saberes, experiências, falas, pesquisas, histórias e memórias, o Samba, personagem principal da obra, é reverenciado pelos autores convidados.

Assim, fazendo uma releitura da própria história do samba desde o passado até o momento presente, a obra garante às mulheres o seu devido lugar por sua participação fundamental na formação neste enredo histórico que deu origem a rica cultura do samba nos moldes de hoje.

Assim, nas páginas de “Desde que o Samba é Sampa”, “Sambas e Dissembas”, “Massembas de Ialodês: Vozes Femininas em Roda” e “Samba em Primeira Pessoa” elas tem voz, vez e presença constante.

Maitê Freitas, uma das três organizadoras da coleção afirma que “O projeto foi todo estruturado na presença de mulheres negras.” Para Maitê: “Sem a presença feminina não há samba”, afirma.expõe uma das três organizadoras da coleção, a mestranda em Estudos Culturais, jornalista e produtora, Maitê Freitas.

Este também é o pensamento de Carmem Faustino, especialista em História da África e Cultura Afro-Brasileira, outra organizadora da obra: Para Carmem “o samba foi e ainda é fomentado em grandes frentes femininas”.

A começar pelas Tias Baianas dentre as quais a grande “Tia Ciata”, até os dias atuais, a presença das mulheres para realização das rodas de samba e perpetuação da cultura é essencial.

Que nos diga Tia Maria do Jongo, Tia Surica, Done Ivone Lara sem falar na força de Beth Carvalho, na firmeza de Mariene de Castro, na doçura de Roberta Sá, na paixão de Maria Rita ou na leveza de Tereza Cristina.

Seria impossível não reconhecer o talento de Nilze Carvalho, Maria Menezes, Aline Calixto e tantas outras mulheres que nos vocais, na percussão ou na organização das rodas de sambas, mostram ao mundo que ali elas também tem vez e voz.

Nesta linha a coletânea resgata diversas mulheres que fazem parte da própria história do samba, embora seus nomes nem sempre sejam lembrados: É o que se vê no texto de Angélica Ferrarez em “Massembas de Ialodês”, quando rememora a importância de Tia Dodô, que foi porta-bandeia com apenas 14 anos na Portela em 1935 quando a escola ganhou o primeiro título. Tia Dodô morreu em 2015 e até hoje é referência na escola por sua participação marcante muito além dos desfiles de Carnaval.

Suane Brazão em “Sambas e Dissembas” lembra as tias do Recôncavo Baiano, figuras marcantes dos riquíssimos sambas de Roda e sambas de viola precursores do samba urbano carioca que se disseminou pelo mundo como autêntica manifestação cultural do Brasil.

Para Patrícia, terceira organizadora da coleção: “Cada pessoa carrega um mundo de histórias e vivências, mas é olhando o que nos angustia que, no futuro, podemos ajudar às próximas gerações”.

Resgatar e exaltar a presença feminina como também personagem marcante e não apenas coadjuvante na história do nosso samba, é uma das formas de garantir um futuro com mais dignidade e respeito às mulheres.

 

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