“Dedicado a todos aqueles que aprenderam a sambar com uma corda estendida sobre o abismo… Salve os 7 Malandros, Salve Seu Zé… Salve Povo da Malandragem…”

Desde que comecei a freqüentar o ambiente do samba no Rio de Janeiro, nas quadras das escolas, nos ensaios e nos desfiles, minha emoção aumenta quando chego perto da bateria, quando vejo as baianas rodarem e, sobre tudo, quando vejo se aproximar a ala de passistas! O samba no pé, os trejeitos, as negas malucas, os malandros. Para mim, os passistas são o estandarte da alegria. Mas, infelizmente os passistas não têm ainda o devido reconhecimento. Eles ensaiam pesado o ano inteiro e se apresentam em diversos lugares levando o nome da escola. A ala deveria certamente ser “pontuada” e prestigiada. Mas, mesmo sem ter o reconhecimento merecido, eles não desistem do seu ofício e, fazem o que fazem por paixão ao samba, à cultura, a arte de mostrar a ginga do verdadeiro samba carioca.

A letra do samba já diz: “Malandro é Malandro e mané é mané”. E como tem muito “mané” querendo ser Malandro por aí, é bom lembrar: O Malandro apareceu no Rio de Janeiro no começo dos anos de 1900, logo após a perseguição que dizimou as maltas Guaiamús e Nagoas, grupos de capoeira que resistiam aos abusos do poder contras os negros e pobres. A dizimação das maltas, foi comandada pelo chefe de polícia Sampaio Ferraz – o “Cavanhaque de Aço” – depois da Proclamação da República. O Malandro então surgiu como o herdeiro dessas maltas. A diferença é que as maltas usavam uma “estratégia de violência”, enquanto o malandro usa uma “estratégia de sedução”. Isso se reflete no modo de vestir do malandro, nos perfumes, no seu andar de viés, no seu samba. Dizem que Paulo da Portela, um ícone de Madureira, falava que o negro tinha que se vestir bem, pois já era estigmatizado pela cor, não deveria ser  também por seu jeito de vestir. Talvez tudo isso seja parte ainda da estratégia de sobrevivência dos ex-escravos em uma sociedade que continuou extremamente discriminatória. Assim o Malandro encontrou uma forma de sobreviver, procurando evitar conflitos e sem se tornar força de trabalho.

Um das figuras mais representativas do Malandro é o ZÉ PILINTRA, uma das únicas entidades que incorpora em qualquer culto afro-brasileiro seja na forma de um caboclo, um baiano, um exu ou o malandro. Bastante cultuado entre os umbandistas, como o espírito patrono dos bares, locais de jogo e sarjetas, é uma espécie de transcrição arquetípica do “malandro”.

Hoje em dia, poucos são os que conseguem encarnar com perfeição o bom e velho Malandro Carioca. Mas, no Rio de Janeiro, berço do samba, da boemia e casa do bom e verdadeiro Malandro, um grupo se destaca: São Os 7 MALANDROS, grupo de passistas de escolas diversas, que pretendem resgatar essa tradição da malandragem e de valorização do passista masculino, contra as diversas invasões que descaracterizam a cultura do samba. Apresentando-se em casas de espetáculos e em eventos particulares eles mostram com muita ginga, beleza e samba no pé, o carisma, a alegria e a elegância dos verdadeiros Malandros.

Salve o Samba, salve o Malandro, salve a cultura brasileira e seus emblemáticos e ricos personagens! Salve Seu Zé! (Inspirado na SÉRIE MALANDROS de J.M. Arruda e Otavio Moreira.)

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