poder-percussao-brasileiraO ritmo, o elemento primeiro e fundamental na musica, está ligado ao homem desde o momento em que este foi concebido.

No útero materno, onde todos os sentidos são formados, inclusive os da percepção, estamos totalmente envoltos à uma complexidade de sons e ritmos e nossas células recebem continuamente estas informações sonoras, comandadas pelo tambor primeiro: o coração materno!
O índio foi o primeiro percussionista brasileiro, batendo um ritmo continuo no chão com os pés e tocando vários chocalhos; A colonização europeia trouxe seus ritmos para o Brasil, porém, a terceira e mais forte influência foi, sem dúvida aquela trazida pelos escravos africanos.

Oriundos de diversas regiões, tribos e etnias (Gêge, Nagô, Keto, Angola) com sua sólida tradição e cultura musical, possuíam amplo domínio dos tambores, madeiras e dos metais.

Tão evidente era a presença da percussão africana entre os escravos, que uma série de medidas foram tomadas para proibi-las: Na Bahia em 1850, em consequência à Revolução do Malês, foi proibida a entrada dos tambores Batá em todos os portos do pais e ordenada à queima destes tambores, para que nunca mais seus toques fossem ouvidos. Assim, calava-se a voz destes tambores rituais que, além de seus toques sagrados, incitava os escravos a luta. Em todo o país, proibiu-se a utilização de tambores e outros instrumentos de percussão nas igrejas.

Mas, esse caldeirão rítmico vindo da áfrica, influenciou a música trazida pelos marinheiros europeus, a música da corte e a música tocada nas igrejas. As formas musicais como o Fado, a Valsa e a polca tornaram-se ritmicamente mais vibrantes ao se misturarem à Fofa e ao Lundu, estilos mais populares. Também cresceu o número de músicos que tocavam nas igrejas, nas casas e nas ruas.

Quem eram esses músicos que iam surgindo por todo o Brasil? Escravos, negros alforriados, mulatos e seus descendentes. Estes intérpretes, africanos de origem, com sua fácil assimilação dos elementos musicais tanto europeu quanto indígena, desenvolveram um estilo particularmente brasileiro, que mais tarde daria origem ao nosso maravilhoso samba!

No Rio de Janeiro e principalmente na Bahia, começaram a aparecer os grupos de Afoxé. Também conhecidos como candomblé de rua, eram formados unicamente por homens e marcavam a presença africana no carnaval. Na Bahia, os afoxés Império da África, Mercadores de Bagdá, Filhos de Gandhi, e Pai Burukô criado pelo mestre Didi, marcavam a presença dos terreiros no carnaval de Salvador. Assim surgiram os afoxés de Índio e de Caboclo que seguiam o modelo africano diferenciando nos cantos e nos trajes.

O afoxé Filhos de Gandhi é a representação máxima desta resistência cultural. Aos poucos as mulheres também começaram a dominar a percussão e surgiram grupos como Didá, Aquiláh e vários outros que levam para o mundo a beleza da percussão genuinamente brasileira.

É por isso que dizem que o coração do brasileiro, do carioca, do baiano, não bate, batuca!

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