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domingo, setembro 19, 2021

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Malandro ou Doutor?

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Caríssimos leitores da coluna papo de malandro: vamos fazer agora uma grande viagem do sobrenatural ao real.

papomalandro_malandrooudoutorMuito se fala sobre seu Zé Pelintra, mas poucos sabem sua verdadeira história. Muitos ainda acham que Seu Zé é apenas um personagem de contos populares. A incompreensão paira diante da dúvida: Um mito, um homem, um malandro? Muito acima de tudo isso posso afirmar que é um grande exemplo de ser humano.

Em relação ao nome deste personagem enigmático, existem várias histórias e lendas. Mas, existiu um homem e uma história que deu origem as demais: José por batismo e Pelintra por propriedade, malandro sem ser marginal (pois o único crime dos malandros foi a capoeira proibida em 1889 mesmo sendo útil em guerras como a do Paraguai e revolução dos mercenários por volta de 1860); Malandro por ser esperto como um tigre, astuto como um águia, sagaz como uma coruja e ágil como uma serpente. Dançava com maestria e manejava um punhal como se tivesse dançando pois, na época, a autodefesa era extremamente necessária.

Nascido na fazenda da cidadezinha de Exu no interior de Pernambuco, José fulano de tal, teve sua infância usurpada: Seu lar destruído pelo alcoolismo e precisou se preparar desde cedo, na arte da capoeira para se defender e ser garoto de recado de meretrizes com quem aprendeu a arte da sedução, com a qual seduziu mulheres inclusive da alta sociedade a quem ouvia e dava espaço para falar, recebendo destas mimos e presentes. Assim adotou por profissão dar às damas maltratadas o direito de serem ouvidas e ter seus pensamentos respeitados, o que os homens da época não costumavam fazer.

Assim, trajando terno de linho branco, gravata vermelha de caxemira, chapéu panamá caído de lado, um anel de ouro com uma pedra vermelha que acreditava ser um amuleto e, ostentando uma longa bengala de madeira com um cabo de cabeça de serpente com pedras vermelhas nos olhos, passou a ser conhecido como Zé Pelintra. Aliás, o “Pelintra” era tido como corruptela de pilantra, em referência a vida que as damas lhe proporcionavam. Depois passou a indiciar o doutor dos pobres ou “Seu Doutô” pelos ex escravos pois, possuía grandes conhecimentos em ervas medicinais tratando quem quer que fosse de feridas e enfermidades, da mesma forma que imediatamente dividia o que tinha com aqueles que passavam fome, dando a eles “o de comer”, como ele mesmo falava.

Não usava drogas, na verdade, gostava mesmo era de uns tragos de conhaque entre uma viagem e outra. Seu único vício era a caridade, amor ao próximo e cuidados especiais com as mulheres. José ou Seu Zé morreu em 1920 e está sepultado na cidade de Alhandra no Estado da Paraíba. As suas façanhas, o gosto pela vida noturna e o costume de estar sempre ao lado dos pobres e desvalidos, fizeram dele também uma entidade venerada em algumas religiões.

Portanto meus amigos, o Zé Pelintra, não é um mito. Falo como resultado de anos de pesquisas e de um grande trabalho de interpretação artística na qual, me coloco como a imagem real de Zé Pelintra para defender a tese de que esse homem deveria estar nos livros de história e não nos de contos e mitos. Aliás, Phelintra com (PH), é um sobrenome de origem europeia e, um desses “Phelintra”, estiveram na Boemia carioca. Mas essa é uma outra história…

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1 COMENTÁRIO

  1. Eu agora estou entendendo por que sou o que sou, pois o tenho como coroa da minha cabeça. Obrigado u .

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