É Samba na Veia É candeia, foi encenado pela primeira vez a cerca de dez anos em 2008, voltou ao teatro em meados de outubro de 2017 e agora está novamente em cartaz até 18 de março no Teatro Oficina em São Paulo.

No entorno de uma roda de samba ambientada na trajetória do Sambista Candeia, nas décadas de 60 e 70, a peça foi recebida de braços abertos pelo público que viaja pela história do artista e também do samba, mas não só isso:

Para a produtora executa e artística, Rita Teles, a peça ganhou grande força ao evidenciar o protagonismo da cena cultural independente, contando com um elenco e de músicos majoritariamente oriundos do samba, das artes e de movimentos sociais afirmativos, principalmente o feminista e o movimento negro.

O papel de Candeia, coube ao ator Marcelo Dalourzi que parece incorporar o sambista em cena com maestria e paixão: Uma interpretação que nos parece ser muito fiel com aspectos cotidianos da vida do músico, com o uso do samba como instrumento de resistência cultural da população negra do subúrbio carioca, ao mesmo tempo em que, de forma genuína também compõe sobre amores e vicissitudes da vida, sem deixar de contestar males sociais como o racismo, cuja apropriação cultural ganham destaque na encenação.

O diretor, Leonardo Karasek, enfatiza que o espetáculo defende o protagonismo de artistas negros que são a parcela majoritária na formação do elenco.

Para Karasek, “É Samba na Veia, É Candeia” ultrapassa as definições de um musical e se encaixa, perfeitamente, como uma peça biográfica. “O cenário reforça todo o simbolismo da trajetória de Candeia como homem negro e crítico social. A estruturação da montagem reforça o sentido da imersão do público no universo do compositor. E, nesse caminho, fazemos um convite para a releitura do mundo nos olhos de Candeia, com todas suas facetas e vivências como corpo e voz de movimento e atuação política por meio do samba”.

A direção Musical de Edinho Carvalho, pesquisador, compositor e que também fez a direção do Projeto Samba de Terreiro de Mauá, acompanhado de trilha sonora com arranjos de Abel Luiz, remete a um verdadeiro passeio pelas notas do samba de Candeia, com destaque para as canções “Pintura sem arte”, “Testamento de Partideiro” e de “De Qualquer Maneira”.

A trilha ainda conta com canções de outros célebres sambistas como Cartola (Preciso Encontrar) , Clara Nunes (O Mar serenou) interpretada por Suelen Ribeiro, e também Elza Soares (Dia de Graça) muito bem interpretada por Josi Souza.

Os velhos parceiros de Candeia também não foram esquecidos: Waldir 59 (Riquezas do Brasil), Wilson Moreira (Me Alucina), Casaquinha (Falsas Juras) e Paulino da Viola (Coisas Banais), refletem a genialidade destes compositores tão importantes na vida e obra de Candeia.

As coreografias do ator e dançarino Jefferson Brito e a participação da cantora Sueli Vargas dão um charme ainda mais especial ao espetáculo.

Assim, nas palavras de Rita Teles, “É Candeia, é samba na veia”, exerce papel fundamental na releitura do compositor como crítico dos mecanismos de apropriação cultural dos valores e processos históricos de identidade negra. “Candeia, quando funda o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo com Wilson Moreira e Paulinho Viola, posiciona-se para além da música. Ele não somente se coloca contrário ao processo de industrialização cultural do samba, como o enxerga como uma ilha de resistência de valores identitários negros diante desse processo. E, no palco, este lado do poeta Candeia, idealista e ativista se faz presente”.

Desta forma, “É Candeia, É Samba na Veia” se firma em mais uma temporada de sucesso no Teatro Oficina em Sampa, aos sábados (20h) e domingo (19h) até 18 de março.

Um espetáculo de encher os olhos e o coração.

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