A Ciranda de Lia é uma tradição de danças afro-brasileiras que é mantida por Lia uma das mais antigas cirandeiras do Brasil, na Ilha de Itamaracá em Pernambuco.

Ciranda é uma dança que remota à tradição das mulheres de pescadores que dançavam à beira mar esperando seus esposos voltarem da pesca.

Ganhou notoriedade no Brasil e no mundo muito em função do trabalho da Lia de Itamaracá, sua principal divulgadora.

Seu nome de batismo: Maria Madalena. O apelido de Lia veio com o tempo. Nascida e criada na Ilha de Itamaracá ganhou notoriedade nos anos 60 quando Teca Calazans registrou difundiu o verso “Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na ilha de Itamaracá…” quem nunca ouviu?

Em 1977, Lia lançou seu primeiro Cd que não teve lá tanta repercussão. Mesmo assim Lia não desistiu: dividia a vida entre o trabalho como merendeira e a paixão pela tradição da Ciranda. Com o tempo, ganhou notoriedade, respeito e virou referência da Ciranda com shows por vários países do mundo.

Seu repertório inclui coco de raiz, loas de maracatu, e claro, cirandas acompanhadas por percussões de matriz afro-brasileira (ganzá, surdo, tarol, congas) e saxofone.

Em 2000 arriscou um segundo álbum”Eu Sou Lia”, lançado inicialmente pela Ciranda Records e depois pela Rob Digital.

O seu aniversário de 75 anos em janeiro de 2019 foi marcado por grandes festividades que duraram três dias.

Não era pra menos: Lia trabalhou a vida inteira como merendeira em uma escola pública da ilha de Itamaracá ao mesmo tempo em que lutou para manter a tradição das Cirandas.

Para não deixar a riqueza cultural desta dança se esvair com o tempo, construiu sem apoio, o “O Centro Cultural Estrela de Lia” que promove cirandas semanais.

Tornou-se a mundialmente conhecida Lia de Itamaracá, patrimônio vivo de Pernambuco.

O fato de ser aplaudida de pé pelos palcos do mundo, não a isentou de passar por dificuldades para manter o seu centro cultural, num terreno que ela mesma comprou com a nobre intenção de manter viva a tradição.

Acostumada a dar a volta por cima Lia seguiu em frente. Sua vida rendeu livro, exposição fotográfica e um dos seus maiores desejos é que o seu legado inspire as gerações futuras a manterem as tradições e raízes culturais que são as maiores riquezas de um povo.

Oxalá, este desejo também se realizará.

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