Noel Rosa cantou: “Com que roupa que eu vou, pro samba que você me convidou…”

“Vesti meu terno branco de domingo, lenço de seda no pescoço e com ar de bom moço, morro eu desci.” Assim, João Nogueira retrata bem a roupa do malandro!

papomalandro_becaOs primeiros Malandros,  os capoeiras das maltas (grupos), nagoas – do povo nagô, ou,  Guaiamus – do Tupi-Guarani, trocavam ensinamentos de manuseio de armas brancas e acessórios como bengalas e navalhas para luta, pelo conhecimento de capoeira. Usavam roupas comuns de época (coletes suspensórios e calças de sacos de batata,chapéus de palha ou tecido),  sendo marcado como diferença, apenas a fita no chapéu, que eram de cores diferentes em representação das maltas.

A vestes toda branca, tinha duas razões: para mostrar habilidade e maestria já que, durante o jogo de capoeira, pernada ou tiririca, quem se sujasse não poderia merecer o titulo de malandro bamba  e também protesto, já que a sociedade aristocrata da época, se vestia de cores mais escuras baseados na sua descendência Europeia.

O uso da camisa com listras, surgiu porque negros alistados no Serviço Militar Obrigatório, tornaram-se marinheiros, cujo uniforme era composto por camisa listrada azul e branca e calça branca. Ao desembarcar em terra firme,  apenas trocavam seus chapéus. Daí surgiu o malandro de camisa listrada. Assim, os Sambistas das Gafieiras se dividiam entre os que eram marinheiros (usando camisa com listras azul e branco com blazer branco por cima) e os que  não eram marinheiros vestindo-se com camisas de listras vermelha e branca. Como nessa época não havia fotografia colorida, apenas preto e branco,  muitos acreditam até hoje que as “litras” eram em preto e branco.

A “beca” com ternos Brancos , na maioria Linho S120,  foi adotada por sambistas, como Moreira da Silva, Paulo da Portela entre outros.

Dentre os Malandros da Lapa, eram utilizados lenços de seda no pescoço e camisa de seda, para evitar cortes de navalha, pois seda não desfia.

Com o passar dos anos, algumas variações foram surgindo: um grande malandro de Madureira, defensor das mulheres e grande mestre de capoeira Chamado Miguel “Camisa Preta”, se vestia sempre de camisa de linho ou seda preta e uma fita vermelha no chapéu em homenagem ao seu time de futebol o Vasco da Gama, segundo um jornalista que o conhecerá. Já Bezerra da Silva, se vestia de Camisa estampada e de Boina. E, nas Escolas de Samba, os malandros passaram a vestir camisas listradas ou de seda com as cores da escola.

Mesmo com estas variações, permaneceu a tradição da calça branca, do sapato bem engraxado que compõem a elegância do bom e velho malandro que se destaca, não apenas pela beca, mas pela ginga, pelo samba no pé que o tornou personagem marcante da nossa cultura.

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