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Luana Bandeira, Rainha de Bateria da Estácio de Sá, Garota Sambando e Assistente de Palco do Caldeirão do Huck, considera o Turbante como peça chave no guarda-roupa.

Até pouco tempo atrás, eles só eram vistos na cabeça das famosas “baianas”. Atuais descendentes dos africanos as baianas originárias das tribos Iorubas, Nagô, Mina, Fula, Haussá, são as que mais se esmeram no trajar; As Nagô, cuja presença maior se nota nos candomblés, são mais baixinhas e gordinhas e esbanjam sua originalidade com cores vivas, berrantes, saia ampla toda estampada. A baiana muçulmana (do Sudão da África), alta e esguia, usa o traje branco imaculado e, às vezes no ombro, um “pano da costa” preto (pano vindo da costa da África).

De uns tempos pra cá os charmosos “turbantes” utilizados pelas baianas, se popularizaram no subúrbio do Rio de Janeiro, viraram febre nas rodas de samba e passaram a ser item indispensável para imprimir mais charme e beleza no look feminino e também masculino, assim como os balangandãs.

Mas o uso de Turbantes não é só um modismo. Em minha cabeça ele reflete a beleza negra que toda brasileira ou brasileiro tem e o seu uso é uma valorização de nossos ancestrais africanos, assim como os Balangandãs. Por isso vale a pena saber um pouco mais sobre a origem dos torsos e turbantes no mundo do samba.

O traje que costumamos chamar de baiano reflete a influência da cultura africana no Brasil, aliado ao rebolado e a ginga do corpo. o turbante e os balangandãs indicam elementos da cultura islâmica predominante no norte da África (Sudão).

As pencas de balangandãs integraram as roupas tradicionais das negras mucamas dos séculos XVIII E XIX. Ornamentados de contas coloridas ou amuleto, em forma de figa, fruta, medalha, moeda, chave ou dente de animal sempre foram usados como amuletos para proteção, louvação ou combater o mau-olhado.

Assim, como traje e figura típica da Bahia, tão cantada por Dorival Caymmi, podemos ver a baiana pregoeira com seus coloridos tabuleiros de comidas típicas e doces, nas ruas, ladeiras e praias de salvador, ou em ritos de candomblé e umbanda e festas religiosas, como a lavagem do Bonfim em Salvador, no dia 25 de novembro, quando se comemora o dia da baiana, com missa missa na Igreja de N. Sra. do Rosário dos Pretos e manifestações culturais como: samba de roda, capoeira, Olodum e afoxé, no memorial das baianas.

Assim a baiana é uma figura que traz consigo os elos da herança ancestral africana – a oralidade, a culinária, a crença, o misticismo, a dança, a ginga e, sobretudo, a cor, enfim, é preciso ter sangue ancestral pra saber o que é que a baiana tem.

Por tudo isso os turbantes e os balangandãs não se resumem a meros adornos ou itens de moda. Trazem em si parte da história, da religião e da nossa mais legítima cultura que reflete a autenticidade do nosso povo e a originalidade do samba!

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