O circuito ‘Samba Que Elas Querem canta Beth Carvalho’ chega à capital fluminense nos dias 28 de março, no Sesc Ramos, e 12 de abril, no Sesc Madureira. Em dois bairros que são verdadeiros templos do samba no Rio de Janeiro, o grupo feminino celebra o legado da eterna Madrinha do Samba, no ano em que completaria oitenta anos, com um espetáculo que exalta a resistência e a força das mulheres no gênero. As apresentações, que começam às quatorze horas, unem a nova geração de sambistas ao repertório imortalizado por uma das maiores vozes da música brasileira.
A curadoria do espetáculo mergulha em quatro décadas de discografia — de 1970 a 2011 —, destacando a conexão de Beth com sua escola do coração a Estação Primeira de Mangueira, e o revolucionário Fundo de Quintal. Para as integrantes do coletivo, dar nova voz a esses clássicos é uma missão de reverência. “Beth Carvalho rompeu barreiras para nos lembrar que, para ser sambista, é preciso respeitar quem veio antes e frequentar seus lugares sagrados. Como ela dizia: ‘O samba é revolucionário e democrático, a roda é o lugar onde todos se igualam’”, afirma Silvia Duffrayer, cantora e percussionista do grupo.
A identificação com a obra da Madrinha não é recente. Desde sua fundação, em 2017, o Samba Que Elas Querem mantém a obra de Beth Carvalho como base de estudo e inspiração. Em 2018, o grupo esteve na residência de Beth, onde gravou um vídeo para as redes sociais ao som do clássico “Vou Festejar”, para a convocação de um ato em defesa da democracia. O episódio reforçou o uso do samba como ferramenta de denúncia e protesto em toda a carreira da artista, uma das vozes mais ativas das Diretas Já, movimento que lutava pela redemocratização do Brasil após a ditadura militar.
Esse processo agora amadurece em um show que atravessa épocas. “Toda roda de samba que fazemos é a hora perfeita para saudá-la, mas o marco de 80 anos nos motivou a criar este repertório especial, que viaja de Nelson Cavaquinho às obras contemporâneas que ela gravou”, explica Bárbara Guimarães, que assina o violão e a voz do Samba Que Elas Querem.
No palco, a dinâmica simula a atmosfera das rodas sagradas, fundindo o samba de raiz ao pagode de mesa sob a direção musical de Cecília Cruz. O clássico “Bar da Neguinha”, surge como o fio condutor dessa união entre ritmos e gerações. “Vamos convidar os baluartes da Mangueira para sentar à mesa com a gente e botar a galera pra sambar. É uma conexão que representa a conversa de gerações que o grupo se orgulha em prestigiar”, vibra Cecília, que também é cavaquinista do Samba Que Elas Querem.
Através da homenagem, o circuito visa fortalecer o protagonismo feminino no mercado fonográfico e na música popular brasileira. Ao ocupar palcos em diferentes regiões do estado, o Samba Que Elas Querem reafirma a atualidade da obra de Beth Carvalho e consolida o samba feito por mulheres como um espaço de técnica, preservação histórica e renovação cultural.
SERVIÇO
Show “Samba Que Elas Querem canta Beth Carvalho” – Sesc Ramos
Data: 28 de março (sábado)
Horário: 14h às 17h
Local: Sesc Ramos (Área Verde Externa)
Endereço: Rua Teixeira Franco, 38 – Ramos, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 10 (inteira); R$ 5 (meia); R$ 7 (credencial plena); R$ 9 (convênio); Grátis (PCG)
Vendas: Somente na bilheteria da unidade, a partir da terça-feira anterior ao evento
Classificação: Livre
Show “Samba Que Elas Querem canta Beth Carvalho” – Sesc Madureira
Data: 12 de abril (domingo)
Horário: 14h
Local: Sesc Madureira (Anexo do Restaurante)
Endereço: Rua Ewbank da Câmara, 90 – Madureira, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 10 (inteira); R$ 5 (meia ou doação de 1kg de alimento); R$ 7 (credencial plena); R$ 9 (convênio); Grátis (PCG)
Vendas: Presencial na bilheteria (terça a sexta, das 7h às 19h30; sábados e domingos, das 9h às 17h30)
Classificação: Livre
Foto: Gabriel Mota








