Beth Carvalho sempre foi sinônimo da força, alegria e originalidade do samba.

Nascida em 05 de maio de 1946 e desde pequena teve contato com a música sob o incentivo da família.

Mas o samba, ah o samba! Foi amor a primeira vista, num romance que durou a vida inteira: Foi daqueles casamentos perfeitos e eternos que geram frutos diversos, filhos, netos e bisnetos.

Com apenas 20 anos de idade (1966), mostrou a sua paixão no show “A Hora e a vez do Samba”, ao lado de Nelson Sargento e Noca da Portela.

Mas aquela não era um paixão passageira: Com a beleza de uma dama e a garra de uma mulher forte e decidida, Beth saía da zona sul para frequentar as rodas de samba do subúrbio carioca, entre elas a do Cacique de Ramos. Grande influenciadora do público desde aquela época, aproveitou a visibilidade que lhe era peculiar para revelar artistas como o Grupo Fundo de Quintal, composto naquela época por Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Almir Guineto entre outros nomes marcantes.

Sob seu apadrinhamento, Luiz Carlos da Vila, Sombrinha e Arlindo Cruz, Jorge Aragão e muitos outros ganharam reconhecimento e notoriedade. Assim recebeu o título de madrinha do samba e sempre fez jus a honraria.

Beth Carvalho tornou-se então reconhecida e respeitada por resgatar e revelar músicos e compositores de Samba, mostrando reverência aos patriarcas e mestres. Assim, buscou Nelson Cavaquinho nos bares da Lapa e lançou “Folhas Secas” (1973); foi atrás de Cartola e lançou “As Rosas não Falam” (1976).

No inicio dos anos 80, um certo Zeca Pagodinho, tornou-se um dos mais emblemáticos afilhados de Beth Carvalho. Não se dirigia a ela como Beth, mas sempre como madrinha. Foi por intermetido da madrinha Beth Carvalho que ele, Zeca, lançou o primeiro trabalho “Camarão que dorme a onda leva” (1981) musica em parceria com Arlindo Cruz e Beto Sem Braço.

A amizade cresceu, Zeca tornou-se reconhecido mundo a fora, mas o respeito e gratidão nunca se perdeu.

Nos 50 anos do Cacique de Ramos, lá estavam eles, juntos como sempre.

O dom da madrinha Beth de despertar e projetar artistas, quem diria, ultrapassou as barreiras da Terra e foi parar na lua: Foi com sua voz cantando “Ô coisinha tão bonitinha do pai” que o robô lançado pela Nasa foi acordado no solo lunar.

E não poderia deixar de ser assim: sua voz sempre foi marcante, contagiante e cheia de alegria. A união perfeita entre a expressão marcante da força da mulher e a originalidade do samba.

No dia 30 de abril de 2019, a madrinha Beth Carvalho foi chamada para celebrar a festa do seu aniversário de 73 anos ( no próximo dia 05 de maio), em um palco especial lá no céu. Ao lado de Nelson Cavaquinho, Cartola, Almir Guineto, Mario Sérgio, Luis Carlos da Vila e outros mestres e afilhados, certamente será ovacionada e recebida de braços abertos pelo Pai Celestial a cantar: “Você vale ouro, todo meu tesouro, tão formosa da cabeça aos pés… O coisinha tão bonitinha do pai…”

E aqui na terra, Beth Carvalho será sempre imortal, como a eterna madrinha do samba.

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