Samba do Bixiga: Tradição afro com sotaque

Quando boa parte dos imigrantes italianos escolheram o Bixiga para montar as suas charmosas cantinas, não foi por obra do acaso. Ali já havia uma energia, uma alegria própria que atraiu a atenção dos italianos, que desembarcaram no Brasil em busca de uma vida nova repleta de felicidade.

Esta alegria rodeada por uma energia diferente,  vinha da comunidade afrodescendente que habitava a região. Segundo o respeitado historiador Angelo Lacocca, a hoje região do Bixiga, era, antigamente conhecida como Vale do Saracura, reduto de negros libertos.

Ali, uma comunidade negra fortemente ativa, preservava seus costumes e seus laços com a tradição africana, em especial no culto religioso, nas manifestações culturais e musicais, antes mesmo da Proclamação da República. Isto porque, no momento em que a  Princesa Isabel, assinou a Lei Áurea (1888) e declarou a sonhada abolição da escravatura, muitos negros foram para São Paulo se concentrando na Região do então Vale da Sacadura que depois viria a se tornar o Bairro do Bixiga, considerado o primeiro bairro negro de São Paulo.

A abolição, trouxe o sonho da liberdade e a região que possuía uma Igreja dedicada a Nossa Senhora dos Homens Pretos,  localizada no Largo do Rosário e transferida depois para o Largo do Paissandu, parecia o lugar perfeito.

Com a proximidade de um local de práticas religiosas onde muitos rituais eram realizados já com a presença forte do sincretismo religioso,  a cultura dos batuques e tambores desenvolvia-se de maneira mais expressiva. Assim, segundo Lacocca, os batuques, as congadas foram consideradas a primeira vertente musical do Bixiga.

Contagiados por esta energia tão peculiar, no início do século XX os primeiros italianos que se relacionavam muito bem como os negros,  começaram a se instalar no Bexiga emprestando um pouco do seu sotaque ás batucadas.

Desta integração, veio Adoniran Barbosa, descendente de italianos que  adorava passear pelo Bixiga assoviando suas melodias. Pelas mãos de Adoniran, o samba marcado pela irreverência dos batuques afros com sotaque de imigrantes italianos ganhou prestígio.  E a “italianada” cuja alma tem na essência a mesma alegria brasileira caiu no samba!

Foi desta fusão que surgiu os Demônios da Garoa,  originalmente formado por cantores italianos, para exportar o samba com sotaque românico e tambores afros do Bexiga para o mundo.

Mas antes dos Demonios da Garoa, ainda nos anos 30, nascia um movimento, uma escola no Vale da Sacadura que trazia consigo a força dos negros  nas composições de seus Sambas. Era a Vai-Vai  precursora do sucesso dos desfiles das Escolas de Samba de São Paulo.

E na Vai-Vai,  o italiano Geraldo Filme,  encontrou o seu lugar. Cantor e compositor levou a escola ao título e ganhou o posto de respeitado sambista do Bixiga, sendo dele a famosa letra “Quem nunca viu o samba amanhecer, vá no Bixiga pra ver”.

Geraldo  fundou o departamento cultural da escola de samba, que procura eternizar as tradições da cultura afro e da herança italiana que formam um casamento perfeito, bem típico da mistura cultural brasileira.

Assim o Bixiga é uma região festiva, com cultura riquíssima de origem quilombola temperada com alegria italiana que se tornou um dos mais emblemáticos redutos de samba do Brasil.

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