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1 - Lília Araújo - www.sambando.com - A gente sabe que o Molejo voltou com nova formação, mas preservando aquela alegria que sempre foi marca registrada do Grupo. Como você vê esta nova fase?

1Anderson: Esta fase, é uma fase maravilhosa, já que todo aquele nosso público que era infantil, cresceu e o Molejo cresceu junto! Nós continuamos com a mesma irreverência enquanto falamos de coisas atuais como Personal Trainer, esse negócio do cara "Voltar pra sacanagem", do cara se apaixonar por uma estrangeira que são coisas do cotidiano. E o legal da banda é que todo dia, ela vai pegando assuntos novos e transformando em música, como é o caso da música chamada "Barraco" que fala de uma mulher que é barraqueira, tem também uma música chamada "Acha Prata" que é a história daquele cara que toma a mulher do outro, a mulher fala que o outro maltratava ela, não dava atenção e aí o cara, dá um trato, carinho, atenção e fala "perdeu malandro, vai achar prata, tremendo vacilão" e por aí vai (risos)


2 - Lília Araújo - www.sambando.com - Vocês realmente vem trazendo temas atuais para as músicas do Molejo, com situações inusitadas de uma maneira alegre e irreverente. Estas histórias como a do Personal Trainer, Barraco, Voltei, Merci Beaucoup e tantas outras, tem alguma delas que foi inspirada em algo vivenciado por vocês ou por alguém conhecido?

Anderson: Há isso aí sempre acontece, nem tudo né (risos). O legal da música é você viver o fato, ou saber de alguém que passou por alguma coisa parecida, mas tem muitas músicas que são temas de outros compositores. Quando a música é composição minha, eu sempre procuro buscar algum fato que aconteceu, alguma frase que alguém falou que eu gravo, uma palavra chave, mas, as vezes, acontece da galera mesmo fazer e aí a gente entra na música, coloca do nosso jeito deixa a música com a nossa cara e aí fica bem legal! E isso é que é bacana no Molejo: a gente conta a história de coisas que podem acontecer com qualquer um inclusive com a gente mesmo (risos). E todo mundo canta, todo mundo gosta: por exemplo o "Paparico": quem é que nunca passou por isso, quem nunca caiu numa cilada, quem nunca achou que tava bem na fita e ficava ali bancando, dando aquela moral toda, tudo que a pessoa pedir e, no final, chega o namorado da mulher ainda te dando dura (risos) isso acontece com muita gente né.


3 - Lília Araújo - www.sambando.com - Com tanta história assim, com tanta coisa para contar em forma de música, a escolha do repertório não deve ser tarefa fácil. Como vocês fazem para montar o repertório do Molejo?

Anderson:A gente pede a opinião das pessoas em volta da gente e muitas vezes a gente pede a opinião de pessoas muito críticas. Mas o que vale é a opinião do povo mesmo. Então eu observo se a minha empregada ta curtindo, se o porteiro ta curtindo, pessoas que realmente ouvem o rádio, que prestam atenção, que realmente se divertem com as músicas. Então eu boto a música, peço a opinião, as vezes mudo alguma coisa que não tá muito legal, porque o bom mesmo é quando tem aquela reação de primeira que você percebe que o camarada achou muito legal e comenta: "poxa bacana", dá um sorriso, brinca. Então a gente vai montando assim o repertório, ouvindo a opinião de todo mundo mesmo.


4 - Lília Araújo - www.sambando.com - Tem uma música muito legal desta nova fase que é "Merci Beaucoup". O sambando é acessado de vários países e recebemos através da rádio sambando, um email de uma francesa justamente falando que a música parecia muito com uma história vivida por ela no Brasil e que tinha adorado a música! Onde vocês foram buscar inspiração para fazer esta música tão bacana com uma história tão legal?

Anderson:Hoje, nós temos um anjo da guarda aliás, dois anjos da guarda. Um chamado Thiago Morais e o outro chamado Carlos Gomes, que são os compositores desta música. Eles trabalham com Trupe de Circo também. Inclusive o Carlos Gomes está trabalhando na comissão de frente da Unidos da Tijuca, ele é fera, junto com o Thiago. E como eles viajam muito, nestas andaças deles, fizeram esta música e me passaram falando que não sabiam se eu ia gostar. Mas quando eu bati o olho na música, eu achei muito legal, porque eu coincidentemente, me relacionei com uma francesa quando morei em Cancun. Fui pra lá trabalhar e parece que o fato era comigo (risos) porque realmente você não sabe se a pessoa tá te elogiando, tá te xingando (risos), e ela falava tudo enrolado! Eu só sei que no final, eu fazia igual o cara do comercial: a mulher falava, eu beijava (risos). Então a história da música não é minha, mas serviu pra mim também! E eu já encontrei outras pessoas, um cara no aeroporto que falou a mesma coisa: "poxa, esta música vocês fizeram pra mim!" E isso é muito bom! Eu quando vou interpretar essas letras, procuro dar bastante ênfase nas palavras, na interpretação no final de frase, então as vezes as pessoas pensam que tudo aconteceu comigo ta entendo (risos). Mas não, é que eu gosto realmente de interpretar, de colocar a marca do Molejão na música.


5 - Lília Araújo - www.sambando.com - Isso só mostra que o Molejo é um grupo bem brasileiro mesmo, e com quem todo mundo se identifica, que todo mundo gosta. É a cara do Rio de Janeiro, e Brasil e por ser assim, vocês já encantaram crianças, hoje conquistam os adolescentes, gente de todas as idades do Brasil e de outros países. Como é para você hoje, ser o líder deste projeto de sucesso, como é para você viver isso?

Anderson: A nossa intenção nunca foi essa. Quando nós montamos o Molejo, a intenção era ser uma banda de baile, tocar na noite. Mas a banda cresceu bastante e o mercado estava muito aberto para as bandas de samba. Como o nosso trabalho foi sempre bem diferente, quando surgimos com "Traz a caçamba, traz a caçamba que o samba taí..." tinha aquela coisa da coreografia, da roupa colorida e isso marcou bastante o público, principalmente as crianças. A intenção não era essa mas, quando a gente viu isso, a gente ficou maravilhado. A banda depois de muito sucesso, ficou uns cinco, seis anos sem lançar trabalho e a gente começou a voltar a uns dois anos. Começamos com a "Maria" que foi uma música feita pelo Dinho Batera e Ivo Meireles contando a história de uma coisa que acontece muito na noite: o cara sai e e de repente se apaixona por uma mulher que é.. assim... meio interesseira, e dá aquela "bola nas costas" (risos)... Então a gente canta tudo que acontece, porque na verdade, o Molejo é a cara do Rio de Janeiro, do brasileiro, porque o brasileiro é super alto astral! Voce vê, quais são as músicas que sempre marcam: aquelas de uma certa maneira, meio apimentadas e alegres! Então o brasileiro é assim: numa brincadeira o cara sai com uma: "você não vale nada mais eu gosto de você", mas é uma coisa que o cara fala de uma maneira cantada então fica bacana! Isso é legal! Como é o lance lá da "Fugidinha", do "Lobo Mau" e as pessoas gostam disso, eu gosto muito, aliás não só eu: eu gosto do que o povo gosta, porque o meu trabalho é pro povo, senão eu tava tocando blus, jess. Diga-se de passagem, é muito bom, mas é uma coisa mais seleta.


6 - Lília Araújo - www.sambando.com - Como surgiu a idéia do nome Molejo que se identifica tanto com o trabalho de vocês?

Anderson: Bem, o Molejo já tem aí 23 anos de carreira. Quando começou, o nome era "Nossa Banda" mas parecia que a banda era de todo mundo e surgiram vários nomes, "Pé no Chão", e muitos outros aí. No final eu falei: "gente só tem um jeito, vamos botar o nome que era da banda do meu pai " Molejo". Aí os caras ficaram falando que Molejo parecia nome de banda de forró, porque tinha o lance daquela música " tem que ter Molejo meu bem..." da Elba Ramalho e era muito sucesso na época. Mas aí eu fiquei falando "Molejo" galera, aquele negócio de malandragem da irreverência, aí eles discordaram dizendo que Molejo era nome de velho, mas acabaram aceitando e foi pegando.


7 - Lília Araújo - www.sambando.com - O Molejo é de todo mundo e todo mundo gosta! O ano passado vocês lançaram um Cd e um dvd gravado aqui no Rio. Como está este trabalho pelo Brasil?

Anderson: Ah! Tá muito legal! Muito mesmo! O Brasil é muito grande. A gente tem chegando em lugares bacanas mas não deu ainda, para ir em muitos lugares, por exemplo, em Minas a gente já está trabalhando a dois anos e não conseguimos ainda ir em 20% do estado! A gente tá rodando muito, tem feito muito nordeste, muito interior de São Paulo. Então este trabalho aí, tem muito ainda prá rolar! Claro que a gente é carioca, a base da gente é aqui e por isso temos sempre que estar mostrando mais resultado, tem que matar um leão por dia, mas a nível de Brasil tá muito legal.


8 - Lília Araújo - www.sambando.com - Você já deu uma "palhinha" de músicas novas que estão sendo lançadas agora. Pelo Brasil o Molejo tá cada vez mais forte. Para 2011, vocês tem algum projeto envolvendo gravação de algum trabalho, cd ou dvd em alguma cidade do Brasil, onde o Molejo é bem querido, existe esta possibilidade?

Anderson: A idéia a gente até tem. Mas como o sambando é muito acessado eu prefiro não falar muito porque senão, a galera pega a idéia, aí já viu (risos). Mas temos um projeto de fazer uma coisa que com certeza vocês do Sambando vão gostar muito e toda a galera vai gostar muito também. É uma coisa bem povão e ao mesmo tempo bem Brasil. Eu não posso falar o que é, senão as pessoas roubam a minha idéia e eu fico louco (risos)!


9 - Lília Araújo - www.sambando.com - E o Carnaval! Aqui no Rio, em Minas e em Salvador, o Molejo é muito querido. Como está a agenda de vocês para este período. Vai dar para curtir o Molejo nestes lugares?

Anderson: O nosso carnaval eu vou te falar: A gente começa quinta-feira tocando lá em Salvador, no circuito alternativo que é Campo Grande. Sete horinhas em cima do trio, e vocês do Sambando estão desde já convidados. Salvador é bom porque o Carnaval já começa na quinta feira (risos)! E aí a gente vem desmebrando por Minas até chegar ao interior do Rio de Janeiro. O nosso carnaval vai começar na quinta-feira e só vai terminar no sábado das Campeãs no Rio de Janeiro.