Donga (1890-1974) foi músico, compositor e violonista brasileiro. Gravou em 1917, em parceria com Mauro de Almeida a música “Pelo Telefone”, o primeiro samba gravado na história.

Filho de Pedro Joaquim Maria, pedreiro, e de Amélia Silvana de Araújo, a “Tia Amélia”, uma das baianas do bairro da Cidade Nova, junto com Tia Ciata, Tia Presciliana de Santo Amaro, Tia Gracinda, Tia Verdiana, que fundaram ranchos onde aconteciam sessões de candomblé e sambas.

Com um ambiente propício, logo aos 14 anos aprendeu a tocar cavaquinho, violão, e banjo, além de dançar um partido alto. Assíduo frequentador da casa de Tia Ciata, na rua Visconde de Itaúna, foi ali que Donga, em 1916 compôs um trecho do samba “Pelo Telefone”, depois terminada pelo jornalista Mauro de Almeida. Compôs também valsas, marchinhas, toadas e emboladas.

Na década de 1920, Donga inicia ativa vida profissional, participando de diversos conjuntos. Em 1919, como violonista, faz parte do grupo Os Oito Batutas, liderado por Pixinguinha, que começa tocando no saguão do Cinema Palais. No primeiro semestre de 1922, patrocinados por Arnaldo Guinle, apresentam-se como Les Batutas no Dancing Sherazade, com sucesso em Paris, mas separam-se logo em seguida. Na volta passam por Buenos Aires e gravam pela RCA Victor. Em 1926, Donga participa do grupo Carlito Jazz para acompanhar a campanha de revistas Batachan (França) e com ele retorna em turnê à Europa. Cria, em 1928, a Orquestra Típica Pixinguinha−Donga, seguindo vários intérpretes e gravando com eles.

Em 1930 os dois músicos e amigos fundam os grupos Diabos do Céu e Guarda Velha. Eles se apresentam em diversas emissoras de rádio e acompanham inúmeros intérpretes em gravações. Em 1932, Donga se casa com a cantora Zaíra de Oliveira, com quem tem a única filha, Lígia. Sua esposa falece em 1951 e dois anos depois se casa com Maria das Dores dos Santos.

Em 1940 Donga gravou nove composições, no disco Native Brazilian Music, organizado pelos músicos Vila Lobos e o americano Leopold Stokows, que foi lançado nos Estados Unidos pela gravadora Colúmbia.

Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos), aposentado como oficial de justiça, pobre, doente e quase cego, morava na Casa dos Artistas, no Rio de Janeiro. Faleceu no dia 25 de setembro de 1974.

“Pelo telefone”, se tornou uma obra marcante e fundamental na história do samba e Donga um autêntico representante de uma geração de sambistas que servem até hoje como “pilares” da cultura brasileira, nosso maior tesouro cultural, o samba.

Deixe seu recado