Como todos sabem, a Bossa Nova sempre foi associada à elite. Para muitos, foi concebida nos saraus dos clássicos apartamentos da zona sul carioca, como o de Nara Leão, ou da rua Nascimento Silva em Ipanema.

Porém, analisando o cenário musical brasileiro entre os anos 30 e 50, é possível dizer que há muito mais do morro, que dos nobres bairros da zona sul na Bossa Nova.

Na  era de ouro do rádio no Brasil (1930-1960) haviam cantores de samba que eram diferenciados: totalmente ligados ao universo da malandragem carioca e do morro, apresentavam uma ginga de malandro que se refletia no modo de andar, de falar e também de cantar. Por isso, entoavam samba de um modo mais suave, mais sincopado, ficando conhecidos como “Sambistas de bossa”, dentre os quais se destacam: Moreira da Silva, Jorge Veiga e Luiz Barbosa.

O chamado samba sincopado faz parte do universo da malandragem. Liga-se à “bossa” do sambista de morro e ao samba de breque.  É marcado por uma espécie de “desencontro estruturado” (síncopa) : o músico cria um segundo ponto de apoio rítmico sobre uma base de segurança fornecida pela batucada, produzindo uma estrutura rítmica mais complexa que dá origem a um jogo musical desenvolvido entre o canto e o acompanhamento.

Este Samba sincopado foi uma das grandes influências daquele que é considerado o pai da Bossa Nova, João Gilberto que sabiamente teve a destreza de a partir da leitura do samba sincopado, fazer uma nova roupagem com influência do jazz,  na companhia de um certo maestro que dava-lhe um novo “Tom” o qual, por capricho do destino, se chamada Tom Jobim.

Da sintonia entre  João e Tom Jobim, surgiu à clássica Bossa Nova,  conseguindo com esta proeza aproximar da elite, o ritmo típico das favelas cariocas.

Sob o manto de Bossa Nova, o samba ganhou certa suavidade não carregando o peso de ser música do morro, adquirindo o ar de ser o som da zona sul carioca. Assim,  João Gilberto no final da década de 50, conseguiu partir das favelas para caminhar livremente pelos apartamentos da zona sul, chegando às principais salas de concerto do mundo, inserindo de maneira simbólica a música da favela na indústria cultural,  grande desejo dos sambistas do morro os quais até então, só haviam conseguido chegar até o rádio.

A João Gilberto e Tom Jobim, juntaram-se Vinicius de Morais, Baden Powell, Dorival Caymmi, João Donato, Roberto Menescal, Toquinho, contribuindo para que este samba de nova roupagem, se disseminasse e ficasse conhecido por todo o mundo com o nome de Bossa Nova, descrito pelo dicionário como gênero de samba suave, musicalmente influenciado pelo jazz.

Portanto, temos que a Bossa Nova na verdade é samba feito com o “dna” do morro e da malandragem carioca, tendo como inspiração as paisagens e belezas do Rio de Janeiro. Por assim ser, ousamos citar Caetano para concluir que: ” Desde que o samba é samba”, “A bossa nova é foda”.

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